sábado, 24 de outubro de 2009

Mensagem para você

         O computador deu agora de achar que é gente. Acha-se no direito de interagir e reivindicar atenção. Uma besta achando-se capaz de pensamentos complexos e voluntários. Hoje, porque eu pressionava extensivamente um par de teclas qualquer, ele julgou por si próprio que eu estava querendo instalar algum tipo de ferramenta para pessoas inaptas em algum sentido. Que as máquinas se transformem e se prestem a tão nobres fins como o de facilitar a vida das pessoas com qualquer deficiência é coisa que eu julgo louvável. Agora essas mensagens não solicitadas me põem nervosa.
         Outro dia, ele insistia em me informar que tinha atualizações inadiáveis a executar a fim de continuar operando. Que eu interrompesse tudo o que estivesse a fazer, fechasse as variadas janelas e páginas nas quais navegava, porque ele tinha suas urgências. Ora essa! Quem essa máquina acha que pensa que é para se autorizar a julgar, melhor do que eu, o que seria prioritário no meu dia?
        E a lista segue, ele também concluiu que preciso ter contadas as palavras que digitei. Disparate. Deve ter desconfiado que eu agora escrevo para um blog e quer me induzir a poupar os leitores de passagens longas, não raro tidas como cansativas pelos navegantes mais modernosos.
        Mas não vou me render. Que venham acusações irônicas de que não estou habilitada para operá-lo. Que me ataquem vírus perigosíssimos. Que se cansem os leitores. Eu me nego a ser teleguiada pela máquina que ainda está aqui para me servir. Pelo menos por enquanto.

Um comentário:

Maninha disse...

Este eu não tinha lido, é ótimo, muito engraçado mesmo. Parece que te vejo atrás do computador indignada. Lembrei das tuas brigas com a impressora que teimava em te desrespeitar e não imprimir quando precisavas dela.
beijos
Agora descobri que não preciso ser anônima, porque tenho conta gmail e o google me chama de Maninha (o que eu acho melhor ainda, pois é o meu apelido desde a infância que só foi desconsiderado pelos paranaenses que me batizaram de Mari (e eu nõ me reconheço assim).